segunda-feira, 10 de março de 2008

Saudade...



Saudade...
Palavra demasiada restrita para descrever todas as sensações que nos preenchem quando sentimos a falta de alguém.
Ao mesmo tempo, é demasiada vaga, pois não admite o fato de cada pessoa viver essa falta de maneira diferente.
Por isso, ao contrário do que dizem os músicos e os poetas, considero esta palavra bastante feia.
Ou melhor, é horrível, porque descreve um estado de alma perturbador.
E sorte têm aqueles cujo idioma não lhes permite nomeá-lo, porque limitam-se a sentir a falta, não têm saudade.
Ter saudades implica pensar na palavra no seu todo, inclui o esforço inútil de repeti-la vezes sem conta à espera de lhe esgotar o sentido.
Mas a saudade é uma palavra cruel.
Não é como as demais, que se transformam numa mera confusão de sílabas se forem repetidas muitas vezes.
Não.
Esta é talvez a única que se torna mais real à medida que a vamos repetindo na nossa mente.
Mais real e mais dolorosa.
Porque cada repetição custa mais que a anterior, mas quanto mais a dizemos mais difícil é parar.
Sim.
Quanto mais a pensamos, mais ela nos magoa.
Senti-la sem o auxílio da mente é saborear uma tristeza inocente, uma melancolia doce, que guiam pelo rosto algumas lágrimas suaves.
Mas quando se tenta encontrar o motivo desses sentimentos, quando se começa a pensar, o choro alastra, num surto violento e amargo, enquanto a melancolia dá lugar a um insuportável nó na garganta.
Porque ter saudade desta maneira é assumir que não conseguimos ser felizes face à ausência daqueles que amamos.
A menos, é claro, que deixemos de os amar.
Mas isso...

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